Coluna | Botafogo em alta: enquanto o Brasil briga, Ribeirão resolve
Se o Pantera fosse um ativo na bolsa, a goleada na estreia seria a alta histórica. Mas para o rendimento continuar, a política interna precisa dar uma trégua.
- 23 de março de 2026
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Se o Botafogo-SP fosse um ativo na bolsa de valores, o gráfico após essa estreia na Série B seria aquele que faz até o investidor mais pessimista abrir um largo sorriso: alta consistente, volume forte de negociações e perspectiva de mercado revisada sem nenhum medo.
O sonoro 4 a 0 sobre o Fortaleza, na Arena Nicnet, não foi apenas uma vitória. Foi um recado.
No futebol, assim como no mercado financeiro, tudo começa na expectativa. E convenhamos: o Tricolor entrou no Campeonato Brasileiro cercado de dúvidas, enquanto o Fortaleza era tratado por todos como aquele investimento “seguro”, a ação intocável. O famoso bicho-papão da rodada.
Pois bem. O ativo “seguro” derreteu — e o desacreditado entregou alta performance. Simples assim.
E aí entra a comparação inevitável com o cenário do nosso Brasil: um país que vive em modo eterno de guerra entre governo e oposição, onde ninguém constrói nada porque todo mundo está ocupado demais tentando derrubar o outro. O resultado? Instabilidade, ruído constante e zero progresso real.
No Botafogo, convenhamos, por muito tempo o ambiente foi parecido. Muito barulho, disputa política, opinião demais e construção de menos.
Mas dentro das quatro linhas, pelo menos nesta estreia de gala, o roteiro foi completamente outro: organização, intensidade e, principalmente, foco absoluto no que interessa. O time fez o básico muito bem feito — algo que, ironicamente, já seria revolucionário em muita esfera de poder por aí.
Se fôssemos traduzir a atuação do Pantera para o cenário econômico, seria como ver a taxa Selic cair com responsabilidade, a inflação perfeitamente controlada e, quem diria, a faixa de “Ordem e Progresso” funcionando não apenas como um slogan de bandeira, mas como prática. No Brasil de hoje, isso parece ficção. Em Ribeirão Preto, pelo menos por 90 minutos mágicos, virou realidade.
Agora, fica um recado direto — e extremamente necessário:
O Botafogo não precisa de mais guerra interna. O clube precisa de continuidade.
Crítica faz parte do jogo e a oposição é sempre saudável para o debate institucional, mas existe uma linha muito tênue entre cobrar resultados e sabotar o processo. E quem ainda não entendeu a diferença talvez esteja mais preocupado em ter razão nas discussões de bastidores do que em ver o clube, de fato, dar certo.
Então, quem sabe, seja a hora exata de selar uma trégua.
É momento de deixar trabalhar. Observar. E, se possível, apoiar e aplaudir quando o mérito for evidente — exatamente como foi neste final de semana.
Porque se até o intocável “bicho-papão” cearense caiu levando quatro gols no Santa Cruz, talvez o problema estrutural da equipe nunca tenha sido tão grande quanto os críticos diziam.
Ou talvez — e só talvez — o maior adversário do Botafogo estivesse morando dentro da própria casa.
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Pesquisador e Colunista
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