Coluna do Léo Rabello | Asas de Ícaro e o improvável voo do Leão
Quando as asas pareciam derretidas pelo desgaste, o Comercial encontrou em um velho conhecido o impulso necessário para voltar a sonhar.
- 23 de março de 2026
- Em: Paulistão A4
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Existem momentos no futebol em que sonhar cobra um preço altíssimo — exatamente como no poema Asas de Ícaro, da escritora Paula Belmino.
Voar alto exige muito mais do que coragem; exige resistência. Quando os ventos contrários sopram, eles não apenas empurram a equipe para trás… eles testam, rasgam e expõem as feridas. O Comercial conheceu o fundo desse vale.
Sentiu o peso do céu sobre os ombros, viu suas asas derreterem e perdeu altitude. Acumulou dúvidas e, por vezes, pareceu condenado a se arrastar pelos gramados — não por falta de ambição, mas por um excesso de desgaste emocional e estrutural. Como Ícaro, o Leão ousou… e pagou o preço.
Mas o futebol, diferentemente da mitologia grega, permite que a história seja reescrita. E, na maioria das vezes, a salvação vem de onde menos se espera.
Não foi um salvador com grife, nem um nome de consenso incontestável. Foi justamente o improvável. Um “anjo”, talvez transloucado como nos versos do poema, que decidiu descer ao caos do Palma Travassos em vez de observar a queda de longe: Osny.
Artilheiro e ídolo ontem, comandante hoje. Invicto há quatro jogos, ele não trouxe discursos sofisticados, promessas vazias ou táticas mirabolantes. Ele trouxe resultado. Trouxe direção. Algo raro em ambientes que muitas vezes se perdem mais em disputas políticas internas do que na construção real do time.
E aqui cabe o incômodo necessário para a reflexão:
Enquanto há profissionais suando a camisa para reconstruir essas asas, ainda existe quem prefira debater nos bastidores sobre quem tem razão. Isso não ajuda. E, para ser sincero, nunca ajudou.
O Comercial não precisa de mais peso nas costas. Precisa de impulso.
Se esse novo voo sob a batuta de Osny vai alcançar o céu do G-8 ou apenas evitar a queda definitiva na Série A4, ainda é cedo para cravar. Mas há um fato incontestável em Ribeirão Preto: as asas alvinegras, que pareciam derretidas pelo sol, voltaram a ganhar forma.
E talvez, só talvez, não seja preciso um milagre completo para salvar a temporada. Às vezes, basta parar de puxar para baixo quem está, com muito suor, tentando subir.
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